American Hustle (Trapaça)

Gosto muito do estilo peculiar do David O. Russel conduzir seus filmes. Aliás gosto de todos ou quase todos os seus filmes. Enxuto, coerente, competente mas sem muitas surpresas no que concerne ao roteiro e também ‘a direção.  O filme flui, sem dúvida, mas num ritmo próprio e ‘as vezes morno. A impressão que tive é que o elenco de 1a foi o principal argumento.american

” Trapaça” guarda semelhanças com ” O lutador” outro filme deste mesmo diretor, tanto na estética geral, como na forma privilegiada de investir na trilha sonora e na caracterização dos personagens. Com um elenco de peso e um roteiro bom, mas sem muitas novidades o filme que tem mais de duas horas, vai sendo levado pelas excelentes atuações, em especial do C. Bale, Amy Adams e Bradley Cooper. A sensação que fiquei é de que não houve um ápice, o desenrolar ficou em 2o ou 3o plano e os personagens cobriam de certa forma esse buraco.

Mas a impressão geral é muito boa. Harmoniosamente : trilha, elenco, caracterização, ambientação e até a narrativa dão conta de qualificar ” American Hustle ” como um bom filme, só não excelente!

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12 Anos de Escravidão

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Historia baseada em fatos, narra a uma parte da vida de Salomon , escravo que foi libertado e sequestrado em 1841. Somente 12 anos depois de sofrer todos os tipos de maus tratos físicos e psicológicos ele reencontra sua família graças a um abolicionista e assim segue este filme que vai pouco a pouco atingindo o espectador com doses homeopáticas de tortura, de verdades inacreditáveis e uma dureza que chega a causar angustia.

Steve McQueen consegue transpor com perfeição o estereotipo do senhor e do escravo, bem como os EUA investido de todo preconceito e crueldade.

Excelente atuação de Chiwetel Ejiofor e também de Michael Fassbender .
Por uma era com mais filmes que denunciem a desumanidade, que registrem atos em massa como esses que durante tanto tempo foram aceitos com tamanha passionalidade e frieza, crueldade.

Por Ana Carolina Grether

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Azul é a cor mais quente

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De uma sensibilidade absurda, tal qual  ” O Segredo do grão”, outro filme do diretor Abdellatif Kechiche. “Azul é a cor mais quente” eleva a uma potência grandiosa, tudo que está ligado ao sensório, às percepções.  E é um dos méritos do filme..capturar através dos sentidos e nos manter atentos e despertos durante três horas.

Uma história de amor que independe do gênero sexual. Linda narrativa que conta minuciosamente o envolvimento de duas meninas, uma delas estreante. A atuação de Adèle Exarchopoulos  é impecável , visceral. A entrega dela atuando comove, nos arrasta para dentro da tela, faz com que nossos olhos e atenção se dirija à ela e a mais nada. Léa Seydoux também faz bonito, mantém-se firme e convence do início ao fim. As duas arrasam , nos sensibilizam juntas.

“Azul é a cor mais quente” é um filme que propõe intimidade, seja da tela, dos close ups com o espectador, seja entre as atrizes e até todo o elenco, cada qual em seu papel.  Prova maior de que a intimidade sexual tão comentada não seria tão bonita e tão pertinente, se o resto também não tivesse uma intimidade, naturalidade. Só funciona porque ela não está isolada do resto, do contexto. Pelo contrário , o ponto alto do filme, um dos é o contexto geral. Presente o tempo todo, funcionando perfeitamente.

Por Ana Carolina Grether

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Sozinho contra todos

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Angústia, sofreguidão e desamparo marcam de forma intensa essa narração em off, na 1ª pessoa, quase sempre em silêncio, pelo protagonista, o açougueiro interpretado pelo competente Philippe Nahon. Em estado anestesiado, petrificado este homem vaga pela França nos anos 80 depois de ter sido preso e condenado por agredir um trabalhador da construção civil que na época era suspeito de ter violentado sua filha, uma menina doente mental. Sem a filha, sem a mulher, sem família e sem trabalho ele tenta reconstruir sua vida insípida, dura e completamente solitária.

Revendo “ Sozinho contra todos” enxerguei diversos elementos que da 1ª vez não pude atentar. Desta vez senti que a dureza do personagem se faz  necessária para compor o drama vivido pelo açougueiro. Bem como todas as cenas explícitas e mais fortes, violentas. Gaspar Noé expõe o limite das emoções, dos sentimentos humanos, nos apresenta com toda dureza o estado máximo que podemos chegar ao perdermos a esperança, a vontade de viver, o sentido para continuar e lutar.

Dotado de uma filosofia do pessimismo, por assim dizer, Gaspar Noé transita imperativo, impositivo e segue   com um ideal de vida restrito, faltoso, descrente, não restando muita saída para a solidão vigente em “ Sozinho contra todos”.

“ Viver é um ato egoísta” e “ Sobreviver é uma questão de genética” termino aqui com algumas falas desse monólogo interessante e inteligente. Pra mim o melhor filme desse diretor

Por    Ana Carolina Grether

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A Solidão dos números primos por Bianca Siqueira

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Mattia tem uma irmã gêmea deficiente e com ela divide todo o seu referencial afetivo, como: a escola, os amigos, os pais e os professores. A sua responsabilidade e maturidade emocional passam pela experiência constrangedora de se ver deficiente, problemático e confuso aos olhos de uma comunidade de normais. Este referencial traz para ele um silêncio profundo, denso, com implicações sociais e afetivas. O desejo infantil de se livrar deste pesado estigma neurológico faz com que ele se perca da irmã e de si mesmo.

Alice é uma criança linda e cheia de vida, mas, após um acidente com esquis fica com sequelas em uma das pernas e passa a mancar.  Esta particularidade a fragiliza diante do seu grupo de garotas poderosas da escola. Ela destoa do grupo na forma de andar, de vestir, de namorar e estas diferenças afloram a ira das demais, afinal ser bonita e poderosa é condição para a supremacia dos “bons” e o status deve ser preservado. Mas, uma das meninas deste grupo consegue vislumbrar esta dissonante fragilidade e revertê-la em singularidade. Alice se apaixona por ela. Mas novas ameaças ao precário mundo afetivo juvenil estão por vir e as defesas se preparam para afastá-las. É nesse diálogo com os “ bons” que a  confiança de Alice é violada  pela sua amada que a humilha diante de todos mostrando que o seu lugar não é junto delas.  

Alice se encontra com Mattia neste mergulho singular. Cada um vivendo o silêncio imposto pela constelação afetivo-social. Passam os anos e eles encontram cada vez mais motivos para silenciarem seus medos e inseguranças, mas suas experiências e particularidades os aproximam sem que eles se percebam disto.

A plasticidade deste filme é belíssima!  Personagens infantis, fotografias iconográficas traduzem a densidade das emoções.

Cenas como: Um lobo mau (personagem de uma história infantil) avisa logo no início do filme sobre os pensamentos ardilosos que nos assaltam e nos comprometem. Ou, a cena da  confissão de Mattia. Quando ele se revela para Alice ao som (fundo)  do helicóptero que sobrevoa a neve para o resgate da mesma (por ocasião do acidente na neve).

Os cortes na pele (de ambos) deixando- se ver. O corpo de ambos (magro ou gordo) na direção dos seus sentimentos.

É um silêncio ensurdecedor!

Bianca Siqueira

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Gravidade

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O olhar da amiga Ana Paula Leite sobre Gravidade de Alfonso Cuaròn

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A começar pelo título, podemos pensar em duas coisas: a primeira é que se trata de algo grave,
sério e a segunda é que pode ser uma referência ao espaço sideral.

Se juntarmos essa ideia inicial a algumas das definições que o aurélio nos apresenta, tais como:

                                                                                          
s.f. Qualidade do que é grave. / Física. Atração que a Terra exerce sobre os corpos:
o peso é a ação da gravidade sobre um corpo em repouso. (V. GRAVITAÇÃO.)
/ Atração que qualquer corpo celeste exerce sobre outro, variável de acordo com sua massa.
/ Fig. Circunspecção, seriedade, compostura: falar com certo ar de gravidade.
/ Importância, relevância. / Intensidade, força. / Estado de perigo, estado que pode ter sérias
ou funestas conseqüências: a gravidade de uma doença.
/ Propriedade do som grave, do som relativamente baixo.
// Física. Centro de gravidade, ponto de aplicação da resultante das forças que a gravidade
exerce sobre as diversas partes de um corpo.

Teremos uma dimensão do que é abordado no filme “Gravidade” de Alfonso Cuarón.
Se valendo de nomes como Sandra Bullock e George Clooney, Cuarón nos transporta para um universo de
metáforas através das quais podemos observar que a teoria psicanalítica está nas entranhas do filme.
Ryan é uma mulher marcada pelo peso de um acontecimento trágico, determinante para que seu comportamento desde o início se mostre circunspecto, sóbrio, meio distante até. Kowalski é seu companheiro de viagem. Falante, esperto e vivaz ele contrasta com o tom descolorido impresso por Ryan, embora lhe sirva de continente em alguns momentos, não apenas amparando-a mas chacoalhando-a quanto ao estado funesto das coisas.
A Terra, nossa casa/mãe, é mostrada de forma majestosa: tão inalcançável quanto bela e desejável; características que só apontam e reforçam nosso elo de dependência, importância e afeto para com ela. A nave e seus cordões umbilicais se assemelha a um útero artificial que mal nenhum teria, aliás, se existe de verdade para que pudéssemos nos refazer em vários momentos na vida e com a certeza de que voltaríamos com grandes chances de sobrevivência.
O desamparo e a solidão que Ryan enfrenta ao ser a única sobrevivente depois que sua equipe é atingida por destroços em uma missão, são tão reais e cotidianos que, embora nunca tivéssemos chegado perto da experiência que ela vive, conseguimos nos identificar imediatamente com ela e com o que a ela acontece suscitando em nós o sentimento de empatia imediato, mas não só por isso, muito mais forte e que nos lança direto no “seio” da situação, é porque o filme fala de um desamparo estrutural, humano, primordial, do qual não temos como fugir.
O abandono é tão avassalador, que qualquer objeto viajando pelo espaço em velocidade possível de ser acompanhada serve de alento e companhia, bem como o holding oferecido por Kowalski, seu intrépido companheiro. As etapas que ela vai transpondo e as naves pelas quais vai passando, sugerem ser objetos/auxílio, objetos transicionais que, em determinado momento serão dispensados, logo depois que cumprirem sua função.
Gravidade é um filme que nos apresenta tantas metáforas quantas estivermos atentos para observar, pois mostra nossas fragilidades e nossas possibilidades em lidar com elas de um modo sutil sem músicas emotivas e sem estardalhaço, apenas com um ser humano, um universo de dificuldades e alguns recursos.
Uma curiosidade relevante e que só confirmou minha suspeita ao sair do cinema – de que este filme mais parecia uma tese winnicottiana – é que os astronautas de verdade usam fraldas e não shorts como aparece no filme, o que entendo como mérito do diretor, pois poderia perfeitamente desqualificar todo um trabalho impecável tanto da atriz quanto da direção. De qualquer forma, saindo das fraldas ou não, ela tem que reaprender a andar.

 

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O Primeiro Ano do Resto De Nossas Vidas

primeiro ano

 

Tão boa a sensação de rever “ O primeiro ano do resto de nossas vidas” aos 36 anos, parece que agora mais saudosa de um tempo descrito tão bem por Joel Schumacher, tempo esse que não volta. Ele pode ser transformado , regenerado mas a ideia de que tudo é pra sempre, de que esse minuto é o mais importante e a energia, paixão depositadas em pequenas coisas, a ilusão passageira de que somos o agora e eternamente, isso não retorna. Diálogos como: “ – O amor é uma ilusão. –A única que vale ‘a pena” marcam esse incrível e datado filme de 1985.

A fórmula conhecida de um roteiro que já apareceu em “ Clube dos cinco” por exemplo e tantos outros, mas que funcionam bem, talvez pela verossimilhança com a realidade recém saída da adolescência, prestes a ingressar no mundo adulto e também tão temido. St.Elmos´s Fire título original  é a história de sete amigos recém formados que estão a procura de seus lugares na vida real. Todos os personagens são passíveis de serem figuras que já conhecemos um dia na vida ou um de nós mesmos, por conta de suas peculiaridades comuns ‘a esta faixa etária, ‘a essa geração.

A deliciosa inocência e despretensão  de Joel Schumacher não pôde ser mais encontrada em sua filmografia.  O primeiro ano do resto de nossas vidas é unicamente excessivo nos clichês, pouco aprofundado em assuntos que poderiam ser mais explorados, mas ainda assim ele conquista a nossa simpatia e enche nossos corações saudosos de doses generosas de boas e ternas lembranças.

 

Por Ana Carolina Grether

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Uma passagem para a vida (P .Leconte)

passagem para vida

 

Da série: As dicas que valem ouro, ” Uma passagem para a vida” é uma preciosidade! Imperdível! Sensível, humilde no melhor sentido possível.  Patrice Leconte  cria  um improvável encontro entre dois homens com personalidades fortes, ambos prestes a vivenciar acontecimentos marcantes em suas vidas.

Um deles chega de trem ‘a um vilarejo na França e logo conhece o senhor falante e culto que lá morava. O bandido e o professor aposentado declinam sobre tudo ou quase tudo que sempre quiseram realizar e somente depois da maturidade conseguem vislumbrar seus sonhos, suas fraquezas também mas naquele momento com um certo otimismo ou seria com sabedoria?..eles refletem e nós nos emocionamos com a cumplicidade, amizade que surge entre dois sujeitos adoráveis.

Uma hora e meia de pura poesia, sensibilidade, emoção, simplicidade, coisa de mestre, talento para poucos. Palmas ‘a Patrice Leconte!

Obrigada pela sugestão Marcelo! Filmaço!

 

Por Ana Carolina Grether

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Caráter

caráter

Em sua estréia Mike Van Diem sai com o Oscar de melhor filme estrangeiro por essa maravilha que é “ Caráter” de 1998, baseado no romance de Ferdinand Bordewijk. Grandiloquentes roteiro e direção que não passam batido, pelo contrário, o tempo todo somos sacudidos pelas cenas fortes, emocionantes, realistas e também pelos desvios,  pelas curvas sinuosas que o diretor faz questão de traçar, a começar pelo fim, desenvolvendo o enredo como um flashback para explicar as cenas: inicial e final. Ambientado na Holanda, pós Guerra, depois da 1ª guerra mundial, mais precisamente tudo começa a ser narrado no ano de 1922.

Uma figura temida, odiada é fruto do excelente trabalho de Dreverhaven, personagem que ocupa grande parte da trama. O maior dos cruéis oficiais de justiça já apresentados no cinema, que é assassinado e o filme tem seu curso justamente com a investigação desse crime que por sua vez tem como maior suspeito o jovem Jacob Katadreuffe . O ator que interpreta Katadreuffe faz-nos crer no pior dos mundos que ele vive, que ele sempre esteve inserido, sem oferecer grandes esperanças e junto com ele embarcamos fácil, vivendo sua angústia, seu desamparo primitivo. Seguimos reféns de um carrasco em potencial, de uma mulher seca, perturbada, obsessiva, hostil, determinada e de uma vítima enfurecida pelo amor/ódio e desejo de viver o que restou da vida. Não tão dramático assim Mike Van Diem vai conduzindo esse suspense trágico como ninguém fez antes.

A influência do meio, a nossa condição estrutural , os nossos fantasmas, o quanto tudo isso participa da formação do caráter do indivíduo. A quem responsabilizar por um traço, por outro?  Considerando cada membro dessa família: uma mãe que simplesmente não se comunica, que abre mão do parceiro amoroso/pai de seu filho, rejeitando toda forma de ajuda, se fechando em copas para tudo e todos, um filho que nasce em meio a um pai que não o legitima como tal, que o persegue a vida toda, que tem como mãe uma mulher que se nega a interagir com ele e a esclarecer algo sobre seu pai. A pergunta que fica é: como crescer, se defender, lutar, desejar, sem ser apenas sobrevivendo ‘a esse ambiente sufocante, negro e perverso?

Para finalizar, devo dizer que por mais que eu escreva aqui, nunca conseguirei transmitir o mote que Van Diem foi capaz de construir em “ Caráter”. Muito mais que seco, duro, hostil a historia dos Katadreuffe e Dreverhaven é marcado por pura pulsão de vida! Indigesto se analisado “ ‘a margem” mas muito rico se conseguirmos nos ater ‘as relações ampliadas no filme, a tríade: pai(Em-nome-do-Pai), filho (o bastardo, rejeitado em todas instâncias) e a mãe( engolidora por excelência, mas também absolutamente fria e introspectiva, sem muito ‘a oferece)r. Mas que curiosamente causam em Katadreuffe uma gana , da revolta uma reviravolta extasiante. Inesquecível Karakter de Mike Van Diem!

Por Ana Carolina Grether

 

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4 tempos com James Spader

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Mais conhecido por atuar em papéis excêntricos no cinema, James Spader parece ter realmente talento para encarnar personagens diferentes, com quase sempre questões sexuais, existenciais em uma época onde ainda era complicado dissecar estes assuntos. E não poderia ser diferente o fato dele ser lembrado por esses papéis. Não depois de ter marcado presença em : Sexo, mentiras e videotape (1989) , Loucos de paixão (1990), Crash, estranhos prazeres (1996) e Secretária (2002) . Esses são alguns dos papéis que lhe renderam a fama descrita acima.

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Em “ Sexo, mentiras e videotape” dirigido por Steven  Soderbergh, James Spader ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes . Spader interpretou Graham Dalton, amigo de infância de John( Peter Gallagher) que chega na cidade causando incômodo e frisson entre outras coisas por ter o hábito de gravar vídeos de mulheres falando sobre sexo. Provavelmente este é um dos melhores filmes de S. Soderbergh e também uma das melhores e mais interessantes atuações de J. Spader.

loucos de paixão - White palace

“ White Place” título original que ficou traduzido como”  Loucos de Paixão”  é um filme menor se comparado ao anterior, muito embora Luis Mandoki o diretor tenha acertado na dupla escalada: James Spader e Susan Sarandon que demonstram total química atuando um par apaixonado que precisa sustentar a relação após terem perdido seus parceiros anteriores e ainda estarem vivendo o luto dessas perdas. Ela 15 anos a mais que ele, ele um homem amargurado e vivendo em abstinência sexual, questionando os paradigmas do amor e sexo. Mais uma vez vemos James Spader encarnar um personagem existencialista, diferente dos padrões, com questões sexuais e tantas outras subjetivas que fazem provavelmente, com que nós espectadores encontremos traços de identificação. Tornando assim sua atuação mais real e humana.

crash

Não tão distante dos demais, desta vez em “ Crash, estranhos prazeres” do também excêntrico Cronenberg, James Spader é James Ballard, um homem que após um acidente de carro passa a se interessar por reconstituir cenas de acidentes automobilísticos e faz desse novo fetiche sua fonte de prazer junto com outro casal. Amado por alguns e odiado por outros tantos, Crash..é um dos melhores trabalhos de Cronenberg que junto com o elenco de peso mas principalmente por contar com a excelente atuação de James Spader como o fetichista, quase maníaco, mas ao mesmo tempo romântico, carente e sedutor  faz desse um dos melhores filmes do gênero.

Secretaria

E por fim “ Secretária” de Steven Shainberg que conta a história inusitada de Lee ( M. Gyllenhaal) mulher que acaba de sair do sanatório por nutrir manias esquisitas, destrutivas na tentativa de detonar suas frustrações.  É quando Lee começa a trabalhar num escritório de advocacia que surge uma figura digamos assim..complementar ‘a dela, tão esquisita quanto ela, que também possui algumas manias no mínimo curiosas. Ele é Gray, seu chefe, um homem dominador e ‘as vezes cruel . Outra dupla que deu super certo no cinema. Ela indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz.  “ Secretária” é um filme pouco comentado mas que é competente no que se propõe , tem um elenco afiado, uma trilha ótima assinada por Angelo Badalamenti e somente quando assistimos conseguimos entender a importância dessa trilha pro filme e igualmente a importância do protagonista ser James Spader, é quase como se não “ coubesse” outro em seu lugar! Ainda mais depois deste ter atuado nos filmes citados acima.

Por Ana Carolina Grether

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