Alabama Monroe

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Não se reduz o Real e o que sobra da fantasia após uma perda gigantesca é uma migalha que em muitos casos não serve pra quase nada. Muitas pessoas após sofrerem um trauma relacionado ‘a perda, acabam perdendo sua própria capacidade de regeneração, transformação, seu narcisismo mais comumente entra em um processo de deterioração, de auto destruição e toda força externa afim de invadir esse organismo e recuperar o que resta, é em vão.

“ Alabama Monroe” conta a história de um casal que se depara com a doença da filha de seis anos e luta até o fim para tentar salvá-la. No entanto o enfoque maior da narrativa está em como esses pais lidam , cada um ‘a sua maneira diante da perda da menina.  O pai cético, ateu e a mãe apegada ‘a crenças religiosas que por vezes serviram de alento para suportar tamanha dor.

Poderíamos entrar numa discussão religiosa e o filme apresenta bastante material pra isso, no entanto independente da fé de cada um, o acontecimento principal causou danos irreparáveis e toda e qualquer reação de um dos lados é absolutamente compreensível.

A dor, a perda, a angústia, o desamparo original sendo revivido com as vísceras e uma total escuridão em ambos os caminhos, até que o pai se agarra naquilo que tem, na música, na vida, no que sobrou dela e segue a jornada.

Novamente, pela segunda vez essa semana vejo no cinema exemplos de que aprendemos com ‘ os nossos”, no caso dos filmes citados “ Pais e filhos” e “ Alabama Monroe” com nossos filhos. Pegando a fala de uma pessoa muito importante, sábia e que admiro muito: ”  os filhos são nossos maiores terapeutas” . Ele tem toda razão. Da realidade para ficção, portanto em Alabama Monroe, o pai ateu é confrontado pela filha em diversos momentos, ela o coloca lindamente de frente com seus próprios fantasmas, com suas próprias questões. E demanda mudança, mudança de paradigma, de pensamento, de ideal.

Lindo filme, com uma fotografia igualmente linda e uma trilha sonora muito especial. Tão humano que transborda sensações e suscita inúmeras reflexões.

 

Por Ana Carolina Grether

 

 

 

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"Temos necessidade de alternativa" (Zizek)
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Uma resposta para Alabama Monroe

  1. Parabéns pelo texto, Carol.
    Acabei de assistir ALABAMA MONROE e realmente é um filme de múltiplas camadas, onde a dor, quiçá a mais terrível delas (a perda de um filho), surge para desestabilizar uma felicidade calcada em coisas aparentemente simples: no relacionamento, na vida a três num local acolhedor, na música tocada de local em local, nos olhares apaixonados, no sexo, enfim.

    A primeira parte é dolorosa, não é fácil acompanhar a degeneração física da menina que se vai aos poucos, derrotada pela doença. A alternância temporal reforça o desespero da situação, pois coloca em paralelo o crescimento e a iminente finitude da garota. Já na segunda parte, mais linear, os dois seres que nunca mais serão o que eram, lutando para seguir adiante. A música entrecorta o filme como notas de melancolia. Bela trilha sonora.

    Como tu bem disse, são muito bonitos os instantes em que a menina desconcerta o pai ateu com perguntas típicas do universo lúdico infantil. Não à toa, após ela partir, a raiva anti-religiosa dele só cresce, se voltando inclusive contra a mãe que “teima” em acreditar que sua filha possa estar perto, ou bem em algum lugar.

    Enfim, ALABAMA MONROE não é um filme fácil de ver, mas é altamente recompensador.
    Beijos

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