Viver é fácil com os olhos fechados (David Trueba)

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Poucos filmes me deixaram tão emocionada e alegre , encantada ao mesmo tempo.  Vivir es fácil con los ojos cerrados (título original) se passa nos anos 60 e conta a história de Antonio, interpretado lindamente por  Javier Camara . Um professor de inglês, engraçado, espirituoso, generoso,  que é fã incondicional dos Beatles e  decide viajar pela Espanha sonhando encontrar seu ídolo John Lennon, que estaria filmando por lá.

Em uma espécie de Road Movie , somos absortos pelo clima de amor e esperança trazido pelos três personagens que levam o filme a frequência máxima de inspiração. Pra mim, esta foi a melhor e maior atuação da carreira do protagonista. Javier Camara se supera a cada cena, sem retroceder um milímetro se quer. Seu carisma só evolui ao longo do filme.

 

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Revendo Pulp Fiction

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Me beslisque se essa sensação for real! Assim eu me senti revendo ” Pulp Fiction”. Como posso estar gostando mais, muito mais agora do que das outras vezes? Talvez e muito provavelmente pelo fato de ter sido no cinema pela primeira vez. Sim, isso é bastante relevante, mas não a ponto de eu achar o filme mais sensacional que antes.

Cheguei a conclusão de que não valorizava tanto o Tarantino como agora. Cada cena, cada fala, cada música na hora certa, a estética impecável com atores brilhantemente trabalhados para atuar em seus papéis, por sua vez magistralmente construídos. Como não morrer de amores por Vincent , interpretado por John Travolta, Mia ( Uma Thurman), Bruce Willis como Butch, e todo o elenco sem tirar nem pôr? . Cada qual com sua devida importância e carisma. E aí é que está , todos despertam esse encantamento. Todos são , estão especiais!

Pulp Fiction é marcado por diálogos deliciosos, inteligentes com humor, sarcasmo e muita espontaneidade. O filme  tem mais de duas horas mas não sentimos, ele nos captura! Todas as músicas sem exceção, são ótimas e são tocadas quase que integralmente, o que torna o filme ainda mais cativante. O que Tarantino faz com John Travolta, principalmente com ele, é algo surreal, maravilhoso. A meu ver um dos melhores personagens. Saí do filme com vontade de (re)rever!!!! Pulp Fiction está na safra do cinema da década de 90. Sem dúvida está entre os melhores e já se tornou antológico!

Por Ana Carolina Grether

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Censores e suas tesouras (por Lufe Lima)

Lufe Lima – Músico

 

Quem cresceu sob a ditadura militar não pode ter outro sentimento a não ser asco quando escuta a palavra censura.Vou dar um exemplo de dois filmes mutilados nas mãos dos censores. Se alguém aqui não os viu, recomendo parar de ler aqui já que vou entregar alguns “spoilers”. Um se chama “Amargo Pesadelo” (Deliverance – John Boorman) e o outro é “Tess” (Roman Polanski). O que estes filme têm em comum? Cenas de estupro, além de serem duas obras primas de dois grandes cineastas que foram cruelmente mutiladas pela tesoura dos censores em situações diferentes.

ImagemAssisti a “Amargo Pesadelo” ainda nos anos 70 no Corujão da TV Globo. O filme conta a história de um grupo de homens que vai para os Apalaches praticar canoagem num rio que em breve desaparecerá sob uma represa. Lá pelo meio do filme, os personagens interpretados por John Voight e Ned Beatty são abordados por dois caipiras armados até os dentes que decidem estuprá-los.

Naqueles tempos de ditadura, a tal da Dona Solange, chefe do departamento de censura, decidiu que a cena de estupro homossexual era muito forte para ser exibida para adultos na sessão da meia-noite e cortou-a sem dó nem piedade. Resultado, os pobres caipiras aproximam-se dos nossos heróis e na cena seguinte estão sendo atacados gratuitamente a flechadas pelo personagem de Burt Reynolds. Dona Solange não só mutilou o filme como mudou todo o rumo da história. No fechar de uma tesoura, os protagonistas passaram de heróis a vilões.

ImagemNeste último fim de semana, resolvi rever “Tess” na Netflix. A obra de Roman Polanski foi nomeada para 14 Oscars em 1979 e abocanhou a três estatuetas, incluindo a de melhor cinematografia. Isso sem falar que ganhou o Globo de Ouro de jovem revelação para a belíssima Nastassja Kinski que nesse filme parece uma jovem Ingrid Bergman de lábios carnudos e vermelhos e com um ar de inocência de arrancar suspiros mesmo dos homens mais abrutalhados da plateia.

Tess é uma menina muito pobre que descobre ser parte da aristocracia. Para ajudar sua família, ela procura um suposto primo rico. Na versão original, o tal primo faz tudo para seduzi-la e quando a oportunidade aparece, ele a estupra. Aqui no país fundado por puritanos, a distribuidora lançou uma versão açucarada do filme: A cena do estupro termina bem antes e quando o primo lhe rouba um beijo, a tela se desvanece e na próxima cena Tess está bordando para seu bebê. Ela passa o resto do filme fugindo do primo que oferece ajudar a sua família quando o pai dela morre. A impressão que se tem é que Tess é caprichosa, ingrata e estúpida por preferir passar fome a ser ajudada pelo ex-namorado altruísta. No final do filme, Tess mata o primo e o filme fica mais confuso ainda.

Juro que gostaria que esses censores enfiassem suas tesouras nos devidos fiofós.

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O Segredo dos seus Olhos ( Por Ana Lucia Gondim Bastos)

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O Segredo dos seus Olhos

 

Ana Lucia Gondim Bastos

Psicóloga  e psicanalista

 

O segredo é o constantemente revelado pelo olhar. Terminado o filme, fiquei me perguntando se o tal segredo não seria a capacidade do olho revelar o silenciado. É o olhar de Isidoro, registrado nas fotos de adolescência, que revela-o como suspeito de um crime. Crime motivado pela paixão doentia, a paixão que faz com que não se consiga pensar o outro com existência própria, o outro longe de si… o outro como outro. O olhar apaixonado de quem quer o objeto amado estático e sem vida, como na baladinha adolescente, de outrora, que diz “e gosto dele assim: assado,cozido, fritinho enrolado, todinho para mim”! Na baladinha o que aparece num tom “fofo”, ingênuo e um tanto romântico, no filme dá margem ao estupro e assassinato de uma bela moça recém casada (com outro homem). É Benjamin, personagem de Ricardo Darín, o agente responsável pela investigação do caso. Ë ele que reconhece o olhar de cobiça de Isidoro pela colega de adolescência, nos álbuns antigos. Ao contrário do que se havia cogitado, para Benjamin, o marido nunca fora suspeito, o amor dele era de outro tipo, do tipo de quem reconhece o quanto o outro faz falta, por ser outro!

O olhar de Benjamin também denuncia um amor silenciado, o amor por sua jovem chefe. Talvez por isso ele tenha tanta facilidade de “ler” olhares. O filme se passa em dois tempos: um tempo presente, no qual Benjamin, recém aposentado, inicia a escrita de um romance baseado na história do crime há anos investigado e, paralelamente, no tempo em que o crime e a investigação ocorreram. Para escrita do romance, Benjamin volta à investigação e ao contato com Soledad, sua ex chefe. Numa noite, desse segundo momento de investigação, uma palavra lhe ocorre logo que acorda: TEMO. No decorrer do filme uma maquina de escrever do tempo da primeira investigação reaparece e é lembrada a falta da letra A, que acompanhou os registros daquele momento, naquele departamento de justiça. Benjamin, então, é capaz de desvendar o enigma da palavra solta na noite (e na história). TEMO, transforma-se em TE AMO. Tantos anos do temor de amar, tantos anos de amor silenciado, tantos anos de olhares reveladores. Talvez agora, Benjamin sinta-se mais preparado e maduro para amar. Um amor que considera o outro,  e que sabe que não será fácil (porque nunca o é quando a história, desejos e demandas do outro é considerada), mas poderá ganhar muitos outros sentidos! Outra dupla do enredo não é capaz de se desprender das amarras da paixão doentia, mas essa parte fica para quem topar assistir ao filme.

Lindo filme, lindo final!

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Zero Teorema/ A dança da Realidade

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Há tempos venho pensando nas possíveis ressonâncias e dissonâncias de “ A dança da realidade” Jodorowsky e “ Zero Teorema” do Terry Gilliam. Pensamentos me consumiram desde que assisti ambos. Por suas ideias fantásticas, visionárias. Um bastante poético, outro mais Sci-fi, no entanto se observarmos com cuidado, conseguimos perceber que ambos possuem as duas características.

Um excêntrio gênio da computação, imerso numa crise existencial. Vítima de toda sorte de angústias e tormentas, Qohen Leth interpretado magistralmente por Cristopher Waltz  busca solucionar o sentido da Existência.

Em um mundo “ paralelo” surrealista, cheio de poesia Jodorowsky reconta a história de sua infância. Acompanhamos a luta do menino que vira homem em meio ‘a um cenário repleto de ilusões, fantasias que se misturam com a realidade e talvez não seja intenção do diretor mesmo que separemos realidade de fantasia.

Dois personagens que buscam um sentido pra vida, atormentados pela demanda existencial, caminham em busca de uma libertação da alma e da mente. Puros por assim dizer, ingênuos em  suas essências, expostos ‘a dor e ao amor seguem seus rumos cibernético-realista deixando pra nós uma esperança em meio ao caos. Futuro e passado representados lindamente por esses dois grandes diretores.

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Por Ana Carolina Grether

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Ninfomaníaca ( )

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“Amor é luxúria adicionada à inveja, ou ainda; Para cada cem crimes cometidos em nome do amor só um é cometido em nome do sexo…”.

 

O texto completo da amiga Bianca Siqueira sobre “Ninfomaníaca” está em:

http://litcine.blogspot.com.br/2014/03/ninfomaniaca.html

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Fruitvale Station: A última parada (contém spoilers)

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Baseado em fatos e com certeza por isso mobiliza tanto ” Fruit Vale Station” narra o antes do fatídico ocorrido com Oscar, um rapaz de vinte e poucos anos que é morto por policiais da forma mais estúpida possível.

Esse filme com cara de documentário mantém suspense e mesmo sabendo o que acontecerá ao final, nos deixa atentos aos últimos momentos do protagonista e a forma como tudo se deu.

O que mais impressiona e causa impacto na cena do assassinato, é o fato de inúmeras pessoas presenciarem o ato irascível dos policiais, registrarem com suas câmeras e celulares o crime e ainda constatar que o tiro foi dado pelas costas, sem dó nem piedade. Com uma frieza e crueldade, além do despreparo por parte da polícia ” Fruitvale Station” registra na forma de filme a desumanidade e violência desmedidas.

Por Ana Carolina Grether

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Alabama Monroe

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Não se reduz o Real e o que sobra da fantasia após uma perda gigantesca é uma migalha que em muitos casos não serve pra quase nada. Muitas pessoas após sofrerem um trauma relacionado ‘a perda, acabam perdendo sua própria capacidade de regeneração, transformação, seu narcisismo mais comumente entra em um processo de deterioração, de auto destruição e toda força externa afim de invadir esse organismo e recuperar o que resta, é em vão.

“ Alabama Monroe” conta a história de um casal que se depara com a doença da filha de seis anos e luta até o fim para tentar salvá-la. No entanto o enfoque maior da narrativa está em como esses pais lidam , cada um ‘a sua maneira diante da perda da menina.  O pai cético, ateu e a mãe apegada ‘a crenças religiosas que por vezes serviram de alento para suportar tamanha dor.

Poderíamos entrar numa discussão religiosa e o filme apresenta bastante material pra isso, no entanto independente da fé de cada um, o acontecimento principal causou danos irreparáveis e toda e qualquer reação de um dos lados é absolutamente compreensível.

A dor, a perda, a angústia, o desamparo original sendo revivido com as vísceras e uma total escuridão em ambos os caminhos, até que o pai se agarra naquilo que tem, na música, na vida, no que sobrou dela e segue a jornada.

Novamente, pela segunda vez essa semana vejo no cinema exemplos de que aprendemos com ‘ os nossos”, no caso dos filmes citados “ Pais e filhos” e “ Alabama Monroe” com nossos filhos. Pegando a fala de uma pessoa muito importante, sábia e que admiro muito: ”  os filhos são nossos maiores terapeutas” . Ele tem toda razão. Da realidade para ficção, portanto em Alabama Monroe, o pai ateu é confrontado pela filha em diversos momentos, ela o coloca lindamente de frente com seus próprios fantasmas, com suas próprias questões. E demanda mudança, mudança de paradigma, de pensamento, de ideal.

Lindo filme, com uma fotografia igualmente linda e uma trilha sonora muito especial. Tão humano que transborda sensações e suscita inúmeras reflexões.

 

Por Ana Carolina Grether

 

 

 

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Pais e filhos

apaisefilhosGosto muito de ír no cinema a dois, a três, não importa quantos, mas a experiência de poder ao final do filme trocar  idéia com outra pessoa é muito enriquecedora. Eu e Eleonora fomos assistir ” Pais e filhos” e decidimos registrar nossas impressões aqui:

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O filme pais e filhos é muito emocionante, conta a historia de duas famílias que tiveram seus filhos trocados no hospital e só descobriram isso seis anos depois.

O filme é um pouco denso e cansativo com suas duas horas de duração, mas o desenrolar da trama é impressionante, afinal o que as famílias deveriam fazer, esquecer o que aconteceu e continuar suas vidas do jeito que sempre foi? Trocar as crianças? Uma das famílias fica com os dois? É uma situação extremamente complicada.

Além disso o filme se passa no Japão onde podemos ter uma ideia de como esse povo se comporta diferentemente de nós, muito mais racional que nós, as comidas típicas de lá que são completamente diferentes das comidas ocidentais. Além disso temos a oportunidade de ver as paisagens e construções do Japão, além de atestar a extrema tecnologia que eles têm, além de sua incrível capacidade de organização, não existe uma única coisa fora de lugar ou algum lixo no chão.

Outra coisa interessante no filme é que uma família é mais rica que a outra, mas você percebe claramente que ambas as famílias tem problemas, mas ambas também tem muito a oferecer as crianças e que com a convivência das duas famílias para tentar resolver essa situação eles acabam mudando e percebendo alguns erros que vinham cometendo. Além disso em nenhum momento nenhuma as duas famílias maltrataram ou gritaram com as crianças, apesar de todo o stress da situação e das crianças estarem perdidas, ambas as famílias fazem de tudo para ajudar as crianças a se adaptarem.

Esse filme também ensina que o sangue e o parentesco não é a única coisa que nos liga, que nos faz amar alguém ou a uma criança. E finalmente o final do filme é incerto, você sabe que terminou bem, mas você não sabe o que exatamente vai acontecer de agora em diante, e isso foi uma jogada de mestre, porque você acaba tendo que usar sua imaginação e criar seu próprio final.

Por Eleonora Fátima

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“ Pais e filhos” é uma grata e linda surpresa. Que propõe uma profunda reflexão acerca dos paradigmas afetivos, frente ‘a uma doutrina sócio cultural que nesse caso se trata do Japão.

Duas famílias  são avisadas de que seus filhos foram trocados na maternidade e somente após seis anos do nascimento dessas crianças eles são convocados a conhecê-las  com a “ sugestão” de que elas sejam devidamente trocadas, ficando cada família com seu filho de sangue.

E ‘a partir daí pode-se imaginar a angústia, o sofrimento dessa batalha emocional que envolve afeto, posse, amor e que lei alguma é capaz de dar conta de um  impasse dessa natureza.

Muitíssimo bem conduzido, magistralmente atuado por crianças cativantes e muito talentosas, naturais e espontâneas que nos fazem refletir sobre o verdadeiro sentido de ser pai e mãe.

Por Ana  Carolina Grether

 

 

 

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” Her” ( Spike Jonze)

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“ Her”, novo filme de Spike Jonze não pode ser mais fiel ao seu criador! E o mesmo fiel ‘as suas crenças e apologias. Quando li essa resenha, achei bastante sugestiva e então o filme passou a fazer mais sentido pra mim :

 

“Curiosamente, a data de estreia do filme, 20 de novembro , cai próxima do lançamento do Xbox One pela Microsoft, que já vem ganhando fama como a máquina “projetada para atender a todas as necessidades do usuário”, funcionando por interpretar quase que perfeitamente comandos verbais e linguagem corporal. O tipo de máquina que terá legiões de apaixonados.”

 

(http://www.brainstorm9.com.br/39856/entretenimento/her-novo-filme-de-spike-jonze-fala-sobre-relacionamentos-na-era-digital/)

 

Contudo o tema é bastante atual e importante por sua gigantesca demanda. Ao que se percebe, é exatamente isso que o filme explora, que vem acontecendo: as relações interpessoais perdendo força, os diálogos ficando escassos e os relacionamentos virtuais ganhando terreno em ampla escala.

Theodore, interpretado por Joaquin Phoenix, é um homem que depois de se decepcionar em seu último relacionamento, se apaixona por um sistema operacional criado por ele mesmo, contendo seus gostos e desejos.  Numa era futurista , ele se vê refém de sua própria solidão e da escassez de possibilidades afetivas.

Tenho a impressão que fui esperando um filme do Spike Jonze de entre outras coisas: “ Quero ser John Malkovich” com a sempre tão impressionante atuação de Joaquin Phoenix de também entre outras pérolas : “ O Mestre ” , para citar um trabalho recente.

Tenho consciência de que a expectativa equivocada atrapalhou e muito. Mas independente disto, não consigo enxergar “ Her ” como um grande filme. E nem um roteiro com grandes surpresas. Até por se tratar de um tema já visto no cinema e vivido na atualidade, pensado pelos especialistas e sentido por nós reles mortais.

Por Ana Carolina Grether

 

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